Cinco estágios no processo de desenvolvimento de um projeto transmídia

4 05 2010

Sabemos o quanto a possibilidade de criações transmidiáticas são infinitas. A abrangência por diversas plataformas, a utilização de diferentes tecnologias e o irrestrito universo criativo humano tornam a concepção de uma manual de narrativas transmídias uma tarefa extremamente complicada.  Acredito que a criação de regras para produções transmídias seria um erro, mas não devemos nos esquecer que um projeto sempre será necessário antes da elaboração de qualquer conteúdo. Atualmente, todas as experiências midiáticas e de entretenimento estão sendo construídas em areias movediças, portanto é melhor não se prender a certas ideias em particular quando não é preciso.

Robert Pratten, produtor da companhia Zen Films, acredita que para o desenvolvimento de um modelo comercial de transmídia deve-se ser incorporado a ideia do “entretenimento evolucionário”, ou seja, que desenvolve com o tempo, tecnologia, audiência, preferência, financiamento e o desenrolar da história. Dessa maneira a criação de um projeto transmidiático irá se manter aberto a novas oportunidades, mas para isso é necessário trabalhar com cinco elementos chaves ao seu desenvolvimento:  história; audiência; plataformas (técnicas e midiáticas); modelo de negócio; e execução.

Para o desenvolvimento de um projeto transmidiático é indispensável que estes elementos trabalhem em harmonia , apoiando e reforçando uns aos outros. Eles nunca devem ser pensados singularmente, mas através de múltiplas interações, ou seja, inicie o projeto com um pequeno conceito e atravesse os outros estágios, com as conclusões retiradas faça novamente o processo passando por todos os cinco elementos.

Primeiro estágio: História

Comece com o básico de uma história: personagens, enredo, premissa, tema, gênero e localização.

Segundo estágio: Audiência

Tente identificar a maior quantidade de segmentos de audiência possível, de fãs do gênero a aqueles que concordam com a premissa, se identificam com o tema ou personagem, e entre outros. Feito isso, volte ao primeiro estágio. O que poderia ser adicionado a história para torná-la mais atrativa à audiência?

Terceiro estágio: Plataformas

Quase todas as tecnologias, meios e lugares podem ser utilizados para convergir sua histórias, mas pense novamente em sua audiência. Quais plataformas são mais atrativas para eles? É necessário que a experiência transmídia seja acessível, e para isso é preciso se conectar com a audiência em seus próprios termos, aonde eles estão, com ferramentas que eles já utilizam e de maneira que eles compreendam. Isso não significa que todo o seu projeto deva seguir essa linha, mas se você quer atrair e engajar a audiência deve iniciar por aqui.

A partir do momento que você possui o interesse da audiência, novas estratégias podem ser aplicadas para aumentar o interesse e comprometimento a essa experiência transmídia. A solução mais simples pode parecer a utilização de sites de relacionamento, mas não se prenda apenas a essas opções mesmo quando parecem a melhor estratégia.

Agora volte a história. O que pode ser feito para que a história melhor atravesse essas plataformas?

Estágio 4: Modelo de negócio

Dependendo da forma como pretende-se financiar o projeto, o acesso ao conteúdo transmídia pode ser pensado de três maneiras: acesso gratuito; acesso pago; e misto. Analise as plataformas escolhidas e sua audiência novamente. Leve sempre em consideração a possibilidade de pirataria. Qual conteúdo pode ser facilmente copiado mas ainda assim parecer tentador a alguns membros da audiência uma fidelização através de plataformas pagas que oferecem conveniência e imediatismo? Volte novamente a história e pense na cronologia em que ela será disponibilizada a audiência de maneira que serviços pagos e gratuitos possam ser cogitados (no caso deste ser o modelo escolhido).

Estágio 5: Execução

Pense no resultado como uma multiplicação entre probabilidades e impacto. A possibilidade de uma experiência transmídia falhar deve sempre ser considerada. Utilize essa medida de riscos para realizar escolhas bem informadas quanto aos passos de implementação do seu projeto.

Não sinta a necessidade de responder todas perguntas desde o início. Depois de repassar pelos cinco estágios comece a pensar na implementação, mas nunca se esqueça da audiência.





Mais sobre a narrativa transmídia de Heroes (Parte 3.1)

29 04 2010

Produtos transmidiáticos durante os hiatos

O caráter de serialidade das produções televisivas facilitam a produção de extensões transmidiáticas, já que no período existente entre a veiculação de episódios os telespectadores mais envolvidos podem requerer mais informações e os produtores têm mais tempo para as elaborarem. Isso é mais evidente em produções semanais, como é o caso de grande parte dos seriados e sitcoms norte-americanos. A responsabilidade de reter o interesse do público para o próximo episódio é ainda mais importante quando a próxima veiculação será somente depois de meses, sendo necessário expandir o interesse a próxima temporada.

Os produtores de Heroes vivem esta dificuldade, lutando contra uma queda crescente no numero de telespectadores do seriado. Apesar disso, Heroes ainda pode ser apontado como o maior explorador de narrativas transmídias. Atualmente no hiato entre a quarta e quinta temporada, o seriado corre o risco de não ser renovado, mas a produção das graphic novels não para, assim como a atualização dos sites relacionados a série.

Enquanto a quinta temporada de Heroes não começa, produtos transmidiáticos relacionados ao seriado são lançados para preencher a lacuna deixada entre uma temporada e outra. Desde o último episódio veiculado na TV norte americana no dia  8 de fevereiro deste ano, a NBC já produziu seis graphic novels (atualmente no número 171), atualizou o site yamagatofellowship.org dez vezes, incluiu três novos perfis em primatechpaper.com e disponibilizou dois vídeos com conteúdo referente as últimas graphic novels.

Trabalhar durante os hiatos não é novidade para os produtores de Heroes. Em sua primeira temporada, o seriado passou por dois hiatos, entre 4 de Dezembro de 2006 a 22 de Janeiro de 2007 e 5 de Março a 23 de Abril de 2007. Desde seu primeiro hiato em 2006, a produção das graphic novels não teve interrupção, de modo que a edição nº 12 Super-Heroics foi marcada como o primeiro quadrinho liberado sem o acompanhamento de um episódio. As quadro edições que o seguiu, também liberadas durante o hiato, contava a história de Hana Gitelman, uma personagem que até então nunca havia sido vista no seriado, mas que seria de suma importância no desenvolvimento de novos produtos transmidiáticos da série.

Ainda durante o primeiro hiato a NBC disponibilizou no dia 8 de janeiro de 2007 um teste online de habilidade intitulado Are You a Hero? (Você é um herói?). Os usuários podiam navegar por uma lista de opções e após identificado o personagem com o qual possuía maior semelhança eram gratificados com um banner que poderia ser colocado em suas páginas pessoais. Com o desenvolvimento do seriado novas opções foram adicionadas ao teste, que ainda hoje pode ser realizado http://www.nbc.com/heroes/games/quiz.shtml ). A maior experiência transmídia foi lançada logo após este primeiro hiato. O Heroes 360 ou Heroes Evolutions (como mais tarde viria a ser chamado), teve início com a veiculação do 12º episódio da primeira temporada no dia 22 de janeiro de 2007.

Durante o segundo hiato a página pessoal da personagem Hana Gittelman teve atualizações frequentes, todos os posts faziam parte do jogo de realidade alternativa lançado no início de 2007. Além disso, a protagonista das graphic novels liberadas durante mesmo período (edição 24 a 29) voltou a ser Hana, que em conjunto com o desdobramento do ARG desvenda mistérios relacionados a Linderman.

O terceiro hiato de Heroes, diferentemente dos anteriores, foi um hiato entre temporadas. O último episódio da primeira temporada foi ao ar no dia 21 de Maio de 2007 e somente em 24 de Setembro a segunda temporada teve início. Durante esse longo hiato foram lançados 16 edições de quadrinhos (nº 35 ao 51), sendo que o último deles apresenta a história de dois novos personagens (Maya e Alejandro). História esta que é continuada no primeiro episódio da nova temporada. Apesar de não ter havido hiatos durante a primeira temporada, devido a greve de roteiristas Heroes teve seu arco narrativo extremamente abalado, pois foi forçado a terminar a segunda temporada com apenas 11 episódios enquanto o plano inicial era produzir 24 episódios.





Multimídia não é Transmídia

23 04 2010

Cronologia não é meu forte, então vou cortar a sequência de posts sobre a narrativa transmídia de Heroes para falar sobre uma confusão que me incomoda.

Não me martirizem por este post, mas o que pode parecer óbvio para alguns as vezes pode confundir muitas pessoas. Lendo a obra “Ficção Televisiva no Brasil: temas e perspectivas” deparei-me com um capítulo com ideias incoerentes sobre a narrativa transmídia. Os autores responsáveis pela parte em questão, confundem claramente produções transmidiáticas com adaptações, citando telenovelas como Gabriela e Tieta como representantes do primórdio da transmidialidade na televisão brasileira. Essa confusão me preocupou. Entender que obras adaptadas não são transmídias parece simples, mas até mesmo estudiosos cometeram o erro de afirmar o contrário na procura de exemplos de transmidialidade na ficção televisiva brasileira.

A narrativa transmídia possui dois componentes incontroversos e um raro, mas intrigante. Primeiramente, o termo implica que uma história se espalha entre uma série de “textos” discretos. A ideia da “hipernarratividade” foi explorada por Gérard Genette em 1982 em seu livro Palimpsests. Vale a pena considerar a classificação de Genette porque ele antecipou diversas possibilidades que vemos agora. Várias de suas categorias possui paralelo com o cinema, mas as manterei em seu domínio, o da literatura.

A “transposição” é uma das categorias considerada por Genette que possuo um interesse particular. Transposições é algo como traduções, reescritas, e adaptações literárias, como no caso de romances tornarem-se peças. Uma transposição também ocorre quando o texto original é podado ou comprimido, como nas versões de Dom Quixote e Moby Dick. Quando um trabalho derivado expande o original tanto no estilo quanto no material narrativo (cenas extras ou drama), ele é classificado como uma obra de “reposição”, que ainda se encaixa na categoria “transposição”.

Outro tipo de transposição que também ocorre é quando os eventos da história original são processados através de técnicas literárias alternativas. Charles Lamb reconta as aventuras de Ulisses numa ordem diferente que Homero conta, e alguém poderia reescrever os eventos de Madame Bovary em primeira pessoa, a partir do ponto de vista de Charles. Podemos citar como exemplos mais recentes o caso de E O Vento Levou, reescrito em 2001 por Alice Randall a partir do ponto de vista da escrava Tara.

Todos esses exemplos de hipernarrativa operam em apenas um meio. A segunda condição da narrativa transmídia é obviamente que se atravesse diferentes mídias. Genette considerava peças de teatro e literatura como partes do mesmo meio, mas se considerarmos o contrário, então romances que tornam-se peças, como Os Miseráveis, são narrativas que atravessam mídias. Nesse sentido, narrativa transmídia seria algo muito antigo e os autores da obra questionada no inicio do post estariam certos em suas afirmações, já que toda a área que então chamamos de adaptação são histórias veiculadas em diferentes mídias.

É aqui que devemos destacar um terceiro componente da narrativa transmídia. Henry Jenkins chama de Worldbuilding a capacidade de criar um universo ficcional ao redor da obra. Uma adaptação simples não pode ser considerada uma narrativa transmídia porque ela apenas reapresenta uma história já existente, ao invés de expandi-la. É claro que essa distinção complica-se quando confrontamo-nos com brutas adaptações que adicionam grandes extensões a narrativa principal ou ao universo ficcional original. No entanto, deve haver uma distinção entre essas extensões e as adaptações que apenas movem o conteúdo de uma mídia para outra.

A telenovela Gabriela (1975), produzida pela Rede Globo, é uma adaptação simples do romance de Jorge Amado, Gabriela, cravo e canela, assim como o filme homônimo produzido em 1983. O mesmo acontece com a telenovela Tieta, também citada como exemplo de um primórdio da narrativa transmídia no Brasil. A telenovela da Rede Globo, que foi ao ar de 1989 a 1990, é uma adaptação de outro romance de Jorge Amado, Tieta do agreste, que também teve sua adaptação para o cinema em 1996. Adaptações como essas devem ser consideradas multimídias, e não transmídias. Não se esqueçam disso.

Para os interessados o livro em questão é Ficção Televisiva no Brasil: temas e perspectivas / Maria Immacolata Vassallo de Lopes (org.). – São Paulo : Globo, 2009 (Coleção teledramaturgia)





Mais sobre a narrativa transmídia de Heroes (Parte 02)

23 04 2010

primatechpaper.com, mais do que apenas um site empresarial


Vou ter que abusar um pouco do conhecimento de vocês quanto a série neste post, já que como não vou contar histórias de episódios nem de personagens, vou supor que já conhecem todos eles e não perderam nenhuma temporada. Vamos nos voltar agora para o conteúdo online relacionado a série. Não me refiro a conteúdos “oficiais” como o próprio site da NBC, mas sites como primetechpaper.com.

Todos conhecem a história de que a empresa produtora e distribuidora de papéis na verdade é uma fachada para uma organização que localiza pessoas com habilidades. No entanto, poucos sabem que o site da empresa possui o maior banco de dados sobre pessoas com poderes sobrenaturais. Obviamente, todo o conteúdo do site é fictício e por ser acessado somente por códigos e senhas, ele funciona como uma forma de gratificação ao fã mais dedicado.

O site faz parte de uma experiência de multimídia interativa criada em janeiro de 2007 pela NBC.  Heroes 360 Experience foi o nome dado para o lançamento de conteúdos online expandido e jogos de realidade alternada. Em setembro de 2007, Heroes 360 passou a se chamar Heroes Evolutions. A primeira vez em que a existência do site foi apresentada aos telespectadores o seriado estava em seu 12º episódio da primeira temporada. O endereço online e o telefone da empresa aparecem em um cartão pessoal que Bennet entrega a Suresh neste episódio intitulado “Godsend”. Levado ao ar no dia 22 de janeiro, “Godsend” marcou o início de Heroes na narrativa transmídia e a corrida por informações extras.

As senhas de acesso ao site nunca foram facilmente concedidas, para descobri-las fãs tiveram de participar de um jogo em que a realidade e a ficção se misturavam. A transação de informações entre fãs e personagens fictícios ocorria por ligações, mensagens de celular e emails. Toda a estratégia foi muito bem pensada, de forma que só conseguia senhas e códigos de acesso aqueles que respondiam corretamente a todas as perguntas realizadas. No entanto, as senhas não são únicas a cada usuário, e nessa era de conhecimento coletivo que vivemos, nada mais natural que compartilhar as informações adquiridas.

Continua sem acreditar na existência desse conteúdo? Então vamos ao tutorial. Entre em www.primetechpaper.com e clique em About Us. O símbolo da empresa irá interagir com  a passagem do mouse sobre ele, clique no símbolo que agora apresenta um desenho do DNA em vermelho. O usuário e a senha serão requisitados, digite bennet em username e claire em password. Você será redirecionado para o Assignement Tracker 2.0, trata-se do banco de dados citado anteriormente. Para acessar os arquivos uma senha será requisitada, esta é diferente para cada arquivo, mas o nome do usuário será sempre bennet. Aqui está um pdf com o nome dos personagens, arquivo correspondente e senha (me avisem se estiver faltando algum). Outra ferramenta interativa interessante é o mapa com a localização de atividades sobrenaturais ( www.primatechpaper.com/AT_2.0/at_map_file.php ). Agora é só explorarem.





Mais sobre a narrativa transmídia de Heroes (Parte 01)

23 04 2010

Atendendo a pedidos vamos falar um pouco mais sobre a narrativa transmídia em Heroes. O leitor Daniel Zatta me perguntou exemplos desta narrativa no seriado e revirando meu computador encontrei textos que tive de retirar do meu projeto de pesquisa por conta de restrição de páginas. Enfim, vamos ao que interessa.

Graphic Novels (História em quadrinhos)

As Graphic Novels de Heroes já estão em sua 170ª edição (12 de abril de 2010), e apresentam tanto novos personagens quanto personagens antigos. Noah Bennet, por exemplo, aparece em 40 dos 170 quadrinhos existentes, sendo o personagem com mais presença neste meio. O segundo personagem com mais presenças nas graphic novels, ao contrário do caso acima, não é um personagem principal do seriado, o haitiano René aparece em 20 edições dos quadrinhos. Em seguida temos Claire Bennet, presente em 19 edições.

Dos personagens nunca vistos no seriado, Eric Thompson Jr  é o que possui mais presença nos quadrinhos. As 16 edições com o personagem também o torna o quinto personagem mais presente no graphic novel. Dos personagens principais Monica Dawson, Samuel Sullivan e Simone Deveaux são os únicos que nunca tiveram um quadrinho focado em suas histórias.

Outra curiosidade é que a 13ª edição (Wireless, Part 1) foi a primeira a focar-se em um personagem nunca antes visto no seriado. O quadrinho lançado no dia 25 de dezembro de 2006 apresentava pela primeira vez a personagem Hana Gitelman, que seria vista no seriado somente no 16º episódio de sua primeira temporada, lançado no dia 19 de fevereiro de 2007, enquanto isso Hana aparecera em 5 edições dos quadrinhos. Este é  um exemplo perfeito de como o consumidor da narrativa transmídia pode compreender mais amplamente o seriado do que um telespectador comum, já que o conhecimento prévio a cerca da história da personagem oferecia uma possibilidade de interpretação das ações e motivações de Hana no seriado. No entanto, esse conhecimento não era obrigatório para a compreensão do episódio, de maneira que a narrativa transmídia foi perfeitamente aplicada.





Sistema de classificação das narrativas norte-americanas

21 04 2010

Primeiramente, peço desculpas pela falta de atualização deste blog. Me comprometo a postar com mais frequência de agora em diante.

É comum pensarmos que seriados dramáticos como Lost ou Heroes possuem maior possibilidade de sucesso nas narrativas transmídias do que sitcoms (comédias de situação) como Two And A Half Men. Algumas produções televisivas possuem formatos que as levam para a utilização de múltiplas plataformas, mas é errado especular que o gênero de uma produção ficcional televisiva possa determinar seu grau de sucesso na transmediação.

Ao mesmo tempo que Two And A Half Men realmente parece apresentar dificuldades na criação de narrativas valoráveis em múltiplas plataformas,  os sitcoms 30 Rock e The Office oferecem ótimas extensões pela web e pelo celular. Não podemos nos esquecer de House, um seriado dramático que oferece uma “narrativa bônus” muito pobre.

O sistema de classificação exposto por Jason Mittell em seu trabalho “Narrative Complexity in Contemporary American Television” me parece o método mais apropriado de identificação das maneiras que os produtores norte-americanos podem utilizar a narrativa transmídia. Mittel caracteriza a ficção televisiva como “convencional” ou “complexa”. Os dramas e os sitcoms que tipificaram a televisão norte-americana são classificados como convencionais, enquanto produções que possuem uma narrativa com facetas específicas que parecem se adaptar exclusivamente a estrutura da série são chamadas de complexas. Nas produções convencionais é esperado que audiência acredite que o programa poderia acontecer na vida real, enquanto as produções complexas existem em seu próprio universo, embora se assemelhem com o nosso mundo.

No entanto, esse método de classificação não é aplicável as produções audiovisuais brasileiras, o que torna necessário uma pesquisa dedicada exclusivamente a nossa realidade. O conhecimento que obtemos em livros, artigos e discussões internacionais não devem ser transportados e aplicados sem alterações no desenvolvimento de produtos culturais ou comerciais na sociedade brasileira, entretanto, também não devemos descartá-los. É importante levarmos em consideração todos os aspectos divergentes e convergentes entre produções nacionais e internacionais.





A narrativa transmídia nas produções ficcionais televisivas norte-americanas atuais

15 03 2010

Você pode pensar que não conhece muitas narrativas transmídias, mas a verdade é que estamos sendo cada vez mais rodeados por elas. As produções ficcionais brasileiras ainda estão numa fase inicial, poderíamos nomear como uma fase de experimentação. No entanto, em alguns países as produções ficcionais televisivas já estão num estágio “consolidado” da narrativa transmídia. Os melhores exemplos são as produções ficcionais televisivas norte-americanas Lost e Heroes, mas não são só os seriados que contam com esse novo modo de contar histórias, sitcoms, como The Big Bang Theory, não ficam para trás.

Em Heroes, a intenção de trabalhar com a narrativa transmídia já existia desde a concepção do seriado. Este talvez seja o exemplo de transmediação que utiliza o maior número de plataformas midiáticas – sms, emails, sites, jogos de realidade alternativa, webisodes, mobisode, etc. Pretendo nos próximos posts enumerar os produtos transmidiáticos dos seriados norte-americanos com maior audiência e tentar desenhar um paralelo entre o consumo da produção ficcional televisiva e a transmidiática. Aguardo comentários e sugestões.








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